sexta-feira, 5 de junho de 2009

Guerras modelaram altruísmo humano, dizem pesquisadores



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Folha Online [Ciência]

A guerra na Pré-História era frequente e altamente letal, mas essa luta constante está ligada ao surgimento de comportamentos altruístas na espécie humana. E quando os grupos humanos atingiram determinado tamanho, criava-se o potencial para uma revolução no comportamento e na cultura.

É o que indicam dois estudos publicados na edição de hoje da revista científica 'Science'.

Samuel Bowles, do Instituto Santa Fé (EUA) e da Universidade de Siena (Itália), usou dados arqueológicos e etnográficos sobre populações de caçadores-coletores e mostrou que a mortalidade produzida pelos conflitos poderia ter promovido a predisposição para ajudar membros de grupos não diretamente aparentados.

Já os pesquisadores Adam Powell; Stephen Shennan e Mark Thomas, do University College, de Londres, afirmam que o tamanho das populações explicaria o motivo de comportamentos socioculturais modernos terem surgido na África90 mil anos, desaparecido há 65 mil anos e ressurgido na Europa 45 mil anos atrás.

"Por comportamento moderno, nós queremos dizer um salto radical em complexidade cultural e tecnológica, que torna nossa espécie única.

Isso inclui comportamento simbólico, como arte abstrata e realista, decoração corporal usando contas, ocre ou kits de tatuagem; instrumentos musicais, artefatos de osso, chifre e marfim; lâminas de pedra e tecnologia de caça mais sofisticada, como arcos, bumerangues e redes", afirma Powell.

Em geral, os pesquisadores especulavam que essa revolução cultural tivesse surgido por conta do aumento do cérebro humano.

Mas os autores lembram que esse comportamento só surgiu cerca de 100 mil anos depois de ter aparecido o ser humano anatomicamente moderno, e que em alguns casos as inovações foram perdidas.

Eles argumentam com cálculos sobre o tamanho das antigas populações, que mostram que só quando elas atingem uma determinada massa crítica é que as inovações podem surgir e ser transmitidas.

Ruth Mace, também do University College, de Londres, discutiu as duas pesquisas em artigo também na edição de hoje da "Science". "Os dois estudos sugerem que a estrutura demográfica das nossas populações ancestrais determinava como a evolução social procederia", diz Mace. [Leia+]


"O outro artigo é consistente com o meu trabalho. Mas a questão é muito diferente. Uma população mais densa não apenas cria oportunidades para troca, mas também para conflitos"

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