
via DN OnlineA 16 de Dezembro de 2007, ao completar 90 anos de vida, foi notícia pelo mundo fora. A sua imagem viajou pelos sistemas de satélite que ajudou a criar. Com as imagens chegava uma mensagem, em vídeo, gravada para os seus amigos e admiradores, na qual o escritor se despedia. Adivinhava um fim próximo que chegou
ontem de manhã. Vitimado por
complicações respiratórias morreu no Sri Lanka, o país que há muitos anos adotou como seu.
Arthur C. Clarke é, para muitos, sobretudo reconhecido pelo
argumento do histórico filme de
Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço (que também adaptou ao formato de romance, editado no mesmo ano da estréia). A história vai recordá-lo, acima de tudo, como
um dos mais importantes e aplaudidos autores de literatura de ficção científica. Mas foi dos poucos que, à ficção, também juntou a ciência.
Nasceu em
Minehead, em Minehead (Somerset, Reino Unido), a
16 de Dezembro de 1917, e em criança já mostrava uma
particular atenção pelas coisas do espaço. Observava as
estrelas e teve logo entre as primeiras leituras as
velhas revistas de ficção científica norte-americanas.
Cumpriu parte do serviço militar na RAF, durante a II Guerra Mundial, como
especialista em radares, somando então breves episódios de uma etapa ligada à
investigação científica que dele fez ainda
um dos principais contribuintes para a criação do satélite de comunicações.
É reconhecida como sua a idéia do
satélite geoestacionário, pensado como o modelo ideal para criar
redes de comunicação. O que a ciência e a tecnologia desenvolveram, de certa maneira, partiu dali... Foi também autor de uma série de curiosos e
visionários ensaios de antecipação científica sobre a
exploração do espaço nos anos 50, antes mesmo do lançamento das primeiras missões não tripuladas.
O antigo leitor de
pulp magazines começou a publicar a sua própria ficção em 1946, na mítica revista de especialidade
Astounding Science Fiction.
O primeiro dos seus contos de referência,
The Sentinel, foi
escrito e publicado em 1951, no âmbito de uma
competição da BBC. Clarke mudou-se pouco depois, em 1956 para o Sri Lanka (então chamava-se ainda Ceilão), onde residiu até à sua morte, aí assinando a maior extensão dos títulos de uma obra que consagra uma
visão positiva da presença humana no espaço e reflete freqüentemente sobre a eventual relação do homem com povos alienígenas ou as marcas das suas civilizações.
O seu trabalho, regular na edição, consistente na escrita, visionário nas idé-+ias, fez dele um dos
"três grandes" da
ficção científica, repartindo o estatuto com
Robert A. Heinlein e
Isaac Asimov.
Pioneiro de
diversas temáticas do universo da ficção científica depois vulgarizadas por outros autores (e argumentistas ao serviço do cinema), Arthur C. Clarke foi dos primeiros a levantar o receio de impactos catastróficos de corpos na Terra (no romance de 1993,
The Hammer Of God) ou a possibilidade de vida em Europa, satélite de Saturno (em
2061: A Terceira Odisséia, publicado em 1988).
Apesar da enorme notoriedade de
2001: Uma Odisséia no Espaço (e da tetralogia de romances a que deu origem), a sua obra mostra
inúmeros outros momentos de grande inspiração e visão. Entre os incontornáveis conta-se a série
Rama, que
explora cenários de contato com outras civilizações e suas tecnologias.
[+]"Nos últimos anos continuou a escrever e a publicar, mas apenas em colaboração com outros autores. O seu nome foi dado a um um asteróide, este sendo, talvez, o maior reconhecimento para um homem que, desde menino, sonhou com o espaço."